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sexta-feira, 10 de maio de 2013

ninguém pode ser julgado pelas suas ideias políticas


Porto, Braga, Paços de Ferreira, Leiria, Sintra, Lisboa, Setúbal...
nestas mensagens,
nestas imagens,
em que a paixão pela liberdade
é mais forte do que toda a autoridade,
a solidariedade é mais forte do que uma joelhada "acidental",
do que um ministério que atropela a razão,
do que um juiz que induz testemunhos.

De arguidos para arguidos, Obrigado!


Ninguém pode ser julgado pelas suas ideias políticas

“Disparate” e “disparatado” foram termos a que José Preto ontem, na audiência no Tribunal da Relação do Porto, recorreu para criticar a conduta dos agentes da PSP na detenção dos arguidos da Fontinha, durante o despejo do Es.Col.A, considerando “radicalmente ridícula” a condenação em primeira instância. No decorrer das alegações do recurso, o advogado de defesa frisou que é ilícito discutir posições politicas e filosóficas em processo criminal. Por seu turno, a Procuradora-Geral adjunta junto do Tribunal Superior, aparentemente, recuou na posição do MP, ao pedir uma condenação por ofensas à integridade física agravadas, caso os arguidos venham a ser absolvidos do crime de resistência e coação a funcionário. A decisão do colectivo de juízes será conhecida a 22 de Maio.
“Boa parte dos disparates violentos que estamos aqui a discutir não aconteceria se as pessoas olhassem para os outros na perspectiva do bonus pater”, afirmou José Preto no final da primeira parte das suas alegações. O advogado retomava assim a ideia com que iniciara a sua intervenção: “o critério do bonus pater estabelece para qualquer decisor e para qualquer decisão a perspectiva do pai e isso traduz a exigência de um grau de afecto como universal perspectiva decisória, como o demonstram as caracterizações de Locke e Morus quanto ao Pátrio Poder – a demonstração é forte, porque estamos bem antes do sentimento ter feito a sua entrada triunfal na História da Cultura, como fundamento da Moral, com Rousseau”. “Para julgar os outros é preciso conseguir amar os outros”, acrescentaria depois, numa aula de mestrado da Faculdade de Direito do Porto, citando Pierre Drai (primeiro juiz de França, antigo Presidente da Cour de Cassation, cujo decesso ocorreu há dias).
O advogado foi desmontando as acusações em causa, em jeito de súmula do recurso de 63 páginas. Chamar resistência e coação à atitude dos arguidos “parece-me estar além do disparate”, disse. “Não há nenhum organismo vivo que não resista à captura, ninguém gosta de ser preso. A resistência é tão natural que é irreprimível“.
Há uma “profunda confusão” nos depoimentos dos polícias, “nenhuma é verdadeira”. Quanto à confusão e inabilidades várias dos depoimentos, citou Platão para dizer: “fala-se naturalmente bem daquilo que se conhece”. Motivo pelo qual os depoimentos dos polícias não podem deixar de haver-se como meras falsidades, o que se reforça pelas auto-contradições e divergências de versão seja no depoimento do subcomissário, seja nos demais depoimentos policiais.
Por outro lado, a polícia intervém “como se na ordem jurídica portuguesa existisse a subordinação pessoal”. E quanto às alegadas ofensas corporais dos arguidos aos policias defende que assentam em “fundamentos absurdos”. Salientou ainda a desproporção do número de polícias para cada um dos arguidos, agentes que se encontravam equipados com couraça, perneiras, caneleiras, joelheiras, cotoveleiras e guantes, equipamento que sempre faria de qualquer pontapé ou murro um acto simbólico onde só poderia magoar-se quem o desse.



“Completamente disparatada” foi como José Preto classificou a hipótese de que qualquer expressão injuriosa tivesse sido ouvida aos arguidos, dadas as divergências das versões das pretensas vítimas, sublinhando-se a necessidade que o juiz de primeira instância teve de induzir uma resposta do subcomissário, o que fez lendo o auto de notícia redigido pelo próprio depoente e do qual o próprio redactor divergia.
O visionamento de imagens das detenções e as gravações das testemunhas do julgamento em primeira instância levam José Preto a concluir que a Polícia estava “sobre-excitada”, pela própria natureza política da ocupação em causa. Ora, “não era a Es.Col.A que estava em debate” e, tendo cada o direito de pensar o que quiser, ninguém pode ser detido em função das suas ideias políticas.


A propósito, o advogado teceu também críticas às alegações finais em primeira instância da procuradora do Ministério Público, considerando "inadmissível" que tenha "levado a tribunal criminal um debate político". “Não aceito a condenação”, comentou José Preto depois da audiência.

Este advogado não acompanhou os arguidos no julgamento sumário, vindo a disponibilizar o seu apoio pro bono após a condenação dos mesmos a três meses de prisão, substituída por multa, ao que acresce a taxa de justiça, num total de €954 cada.
No decurso das alegações, cerca de 50 pessoas concentraram-se em frente ao Palácio da Justiça, sob o lema “Somos Todos Arguidos da Fontinha”. Quem não pôde estar presente enviou mensagens e houve faixas solidárias em várias cidades do país.
Após a audiência, o advogado falou durante duas horas e meia a um curso de mestrado da Faculdade de Direito do Porto, a convite do Catedrático de Direito Constitucional daquela Faculdade, Prof. Paulo Ferreira da Cunha. Aí, regressando ao critério do “Bonus Pater”, explicitou, citando Pierre Drai, que foi Primeiro Juiz de França (Presidente da Cour de Cassation): “ Para julgar os outros é preciso conseguir amar os outros” e “ninguém pode ser ultrajado a pretexto de um processo” (em alusão ao comentário que Pierre Drai formulou na comemoração do centenário da anulação da sentença condenatória do Capitão Dreyfus).

P.B. (retirado de Indymedia.pt)

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Apelo à mobilização solidária pelos arguidos da Fontinha


4ª feira, 8 de Maio, 14h30 
Cordoaria, à frente do Palácio da Justiça



terça-feira, 21 de agosto de 2012

a escola agora



21 de Agosto, terça-feira

Depois de 4 meses de abandono e 2 dias de "trabalho" por parte de 3 funcionários e um encarregado da empresa de construção Nortejuvil munidos de picaretas e marretas, este é o estado da antiga Escola Primária do Alto da Fontinha, durante um ano devolvida à comunidade e transformada em Espaço Colectivo Autogestionado.































terça-feira, 12 de junho de 2012

arguidos do Es.Col.A apresentam recurso


Dois dos arguidos do despejo do Es.Col.A já apresentaram recurso da pena de prisão de três meses, substituída por multa mais pagamento da taxa de justiça, num total de €954 cada, segundo sentença lida a 10 de Maio.
recurso: 

errata do recurso:

notícia no Indymedia:

notícia do Público: 


O terceiro arguido também já declarou a sua intenção em recorrer da pena suspensa de 5 meses de prisão.

domingo, 13 de maio de 2012

Es.Col.A resgata livros do interior da escola




Os livros que haviam ficado na biblioteca do Es.Col.A foram esta manhã resgatados para o projecto. Mas nem tudo correu serenamente, pois o pessoal foi surpreendido pela polícia dentro do edifício da ex-escola primária onde funcionava o Espaço Colectivo Autogestionado do Alto da Fontinha, recentemente despejado pela câmara municipal do Porto. Quatro pessoas foram identificadas e uma foi levada à esquadra, onde assinou uma declaração de “fiel guardador” dos livros.

Depois de uma semana de chuva, pessoal do Es.Col.A decidiu aproveitar este domingo solarengo para recuperar os livros que ficaram barricados no interior do edifício, que desde o dia 26 de abril jaz destelhado e desprotegido do vandalismo e das interempéries. A operação de salvaguarda era para ser feita discretamente, sem alaridos, mas ainda a meia dúzia de pessoas que levaram a cabo a tarefa estavam na escola quando chegaram ao local três veículos da PSP com 10 agentes.

Ultrapassada a situação, salda-se a identificação dos voluntári@s do Es.Col.A, mas todos os livros foram recuperados.


Indymedia, 13 de maio




segunda-feira, 30 de abril de 2012

mensagem às associações



Carta aberta às associações e organizações não governamentais sobre a “Loja Social”, a CMP e o Es.Col.A da Fontinha

Car@s amig@s

Como sabem, desde há um ano que um coletivo de pessoas dinamiza um projeto num antiga escola abandonada pela autarquia, no bairro da Fontinha, no centro da cidade do Porto. Restituindo à população esse espaço e proporcionando um conjunto de atividades culturais, sociais e educativas, o Es.Col.A – espaço coletivo autogestionado do Alto da Fontinha – tem tido um amplo apoio popular não apenas dos vizinhos do bairro mas do conjunto da cidade. Apesar disso, o executivo da Câmara Municipal tem rejeitado que aquele espaço possa ser utilizado para este fim, recorrendo à polícia para despejar o projeto.
Uma vez que a Câmara Municipal não tem, de momento, nenhum projeto para aquela escola, o que torna todas as ações de despejo ainda mais injustas e absurdas aos olhos da população (mostrando que a Câmara prefere um espaço emparedado e vandalizado a um espaço cuidado e em utilização social), o Executivo está neste momento a tentar fabricar um projeto que possa servir como legitimação da decisão política de destruir o Es.Col.A.
Assim, e sabendo o Es.Col.A que a CMP tem contactado várias associações para integrarem uma “Loja Social” num espaço camarário a nascer na mesma zona onde se situa o nosso projeto, vimos através desta carta apelar à vossa solidariedade e civismo neste momento decisivo. O que vos pedimos é simples: que em qualquer contacto com a Câmara tornem explícito que só aceitam integrar esse projeto no caso de ele não ter lugar na Es.Col.A da Fontinha, pois isso seria uma forma do executivo instrumentalizar politicamente a vossa associação e o seu trabalho, utilizando-vos como armas de arremesso na tentativa de destruição de um projeto que já aqui existe e que tem apoio popular no bairro e na cidade.
Contamos com a vossa solidariedade.

domingo, 29 de abril de 2012

segunda-feira o Es.Col.A. vai à câmara


segunda-feira, 30 de Abril


18h30 - início da concentração à porta da CMP
18h45 - Yoga
19h00 - Teatro
21h00 - Assembleia Municipal (inscrição prévia a partir das 12h no gab. munícipe)

durante o resto do fim de tarde, outras surpresas...

Em dia de Assembleia Municipal, o Es.Col.A. desloca-se até à CMP para denunciar a actuação das autoridades e todo o processo que culminou com o abandono propositado do edifício da escola primária do Alto da Fontinha.
A concentração na Câmara Municipal vai ainda contar com a realização de algumas das atividades que normalmente aconteciam no espaço Es.Col.A. e que mesmo após os despejos se continuam a realizar devido à vontade de todos os participantes.

É importante também informar que qualquer munícipe da cidade do Porto pode assistir e participar com uma intervenção na assembleia municipal mediante inscrição prévia no gabinete do munícipe a partir das 12h de segunda.

Queixa a apresentar no gabinete do munícipe (horário de funcionamento disponível aqui):
"Eu, (nome), munícipe da cidade do Porto (morada), venho por este meio reclamar a iniciativa da autarquia em despejar o projeto Es.Col.A, projeto de elevado valor cultural e social, e à violência aplicada durante todo o processo." (aberto a reformulações)

quinta-feira, 26 de abril de 2012

devoluto de pessoas e bens


26 de Abril, quinta-feira



O edificio onde a Es.Col.A. funcionou durante um ano foi hoje emparedado, mas apenas no primeiro andar, no resto dos pisos foram deixados buracos onde antes havia vidros, portas e janelas. No telhado foram deixadas dezenas de telhas partidas.
A intenção é clara, deixar que os elementos façam o seu trabalho e que o antigo edificio da escola primária do Alto da Fontinha se degrade o mais rapidamente possivel para que, em conjunto com a destruição da canalização, se torne inutilizável pela população.

Era este afinal o projecto que a CMP tinha para a Fontinha.

antes emparedado do que ocupado


Canalização destruída, sanitas e lavatórios para o lixo, haveres da Es.Col.A. retirados, mobiliario destruído, instalação eléctrica propositadamente estragada.

A Es.Col.A. está neste momento vazia e emparedada. Mais um espaço público devoluto de pessoas e bens, como a Câmara sempre quis.

Assembleia no Largo da Fontinha - 18.30

descubra as diferenças


Ontem e hoje


visitas pela manhã - policia de novo na Es.Col.A.


Quinta-feira, 26 de Abril


Depois de ontem o portão da Es.Col.A. ter sido fechado às 22h30 para hoje se retomarem as actividades normais, hoje pela manhã o espaço está desde muito cedo, por volta das 7 da manhã, de novo a receber as visitas da polícia e CMP que despejam o que restava dos haveres da Es.Col.A..

Para já, por volta das 9h45, ainda não voltaram a colocar chapas nas janelas.

Logo há assembleia às 18.30!!

quarta-feira, 25 de abril de 2012

a Es.Col.A. é nossa





O Es.Col.A regressou!!


(foto de ricardo sá ferreira)

Es.Col.A aberta e com gente dentro. O pátio não chega para tanta gente!!
Durante o trajecto, apenas os polícias que acompanharam a manifestação! Não há sinais de polícia na Fontinha, mas há indicação de presença policial à entrada de Santa Catarina.

O Es.Col.A regressou!

O edifício está a ser aberto e desemparedado! E a bandeira pirata ergue-se de novo no pátio!

Es.Col.A invade ruas em direcção à Fontinha



A festa cresce nas ruas da baixa portuense.
Depois da panelada e concentração na Batalha, a avenida dos Aliados é o ponto de convergência das múltiplas manifestações do 25 de Abril. Quem saiu à rua afirma que «há muitos anos não se via tanta gente»!
A O!Brigada, banda de música e numerosos apoiantes do Es.Col.A tomaram de assalto a frente da CMP e aí fazem a festa!
As primeiras imagens podem ser vistas aqui.
Mais de mil manifestantes sobem agora rumo à Fontinha! O ambiente continua festivo e tranquilo, com as forças policiais a abrir caminho à marcha de apoio à Es.Col.A.
A multidão invade o largo da Fontinha e é palpável a vontade de subir até à Es.Col.A!