segunda-feira, 10 de outubro de 2011

o que é um projecto não comercial, parte 3


Resumo da assembleia temática de 4 de Outubro

Estávamos cerca de 25 pessoas na Es.Col.A, mas apenas 15 se juntaram a esta assembleia, talvez como reflexo do desgaste que este tema tem provocado, particularmente pela dificuldade de chegar a consensos. Definir o que é um projecto não comercial não é de todo fácil. Pelo menos para quem se tem interessado em o discutir. E não foi à terceira que se fechou o assunto.

Assente e consensualizado entre todos, está a ideia de que a Es.Col.A deve procurar ser auto-suficiente, que os donativos em género são mais bem-vindos que em dinheiro (exceptuando casos pontuais), que não se deve procurar donativos de instituições (muito menos em nome da Es.Col.A), sejam elas particulares, públicas, religiosas ou partidárias, e que se houver alguma proposta de donativo por uma instituição, isso deve ir à assembleia. Está também claro que os donativos nunca devem vir com um pedido de contrapartida.

Relativamente às actividades, é também consensual que têm de ser abertas a quem quiser participar e gratuitas.

O que nos falta então para atingir o consenso?

Voltámos ao início e perguntámo-nos que questões práticas precisamos responder:
- uma pessoa/grupo que organize uma actividade pode pedir donativos para si?
- uma pessoa/grupo que organize uma actividade pode pedir donativos para a realização da actividade?
- pode haver um café na Es.Col.A?
- quando precisa de dinheiro, como deve a Es.Col.A proceder?
- uma pessoa/grupo pode pedir donativos fora da Es.Col.A para realizar uma actividade na Es.Col.A? Pode fazê-lo em nome da Es.Col.A?

Mais que responder às questões, as pessoas foram expondo considerações e preocupações. Uns diziam que tudo o que fosse troca era comercial, outros defendiam que “não comercial” não tem de implicar gratuitidade, que o projecto não tem de ser gratuito, deve é ser livre, que receber donativos não é propriamente desenvolver uma actividade lucrativa.

Tentando concretizar questões, uns tentavam argumentar que é diferente pedir donativos para si ou para a actividade que se desenvolve (ou para a Es.Col.A pagar alguma coisa, como aconteceu com as despesas da criação da associação). Por exemplo, se para a oficina de culinária não se conseguir donativos de alimentos e gás suficientes e se ainda assim se quiser fazer a actividade, então pode-se pensar em pedir donativos entre os que participam ou mesmo a toda a Es.Col.A. Mas logo outros perguntavam onde acaba o que é essencial para a realização da actividade – por exemplo, não será essencial garantir transporte ou alimentação para o formador?

A discussão parecia centrar-se na possibilidade de uma pessoa/grupo que desenvolve uma actividade poder pedir donativos (directamente ou por sugestão, pois chegou a discutir-se se pedir donativos e dizer que se aceita donativos é ou não diferente) e decidiu-se medir a temperatura, que confirmou a falta de consenso.

Algumas pessoas (aparte a atitude voluntária, individual, e não sugestionada de alguém querer oferecer algo a outrem – relação interpessoal que fica à consciência de cada um e na qual a Es.Col.A não pode intervir) manifestaram-se claramente contra pedidos de donativos para quem realiza actividades. Argumentavam essencialmente: que o espírito de participação deve ser de dar sem a expectativa de receber donativos (que pode ser vista como uma espécie de expectativa de remuneração, de contrapartida); com o receio de poder haver aproveitamento/abusos e deturpação dos princípios e objectivos do projecto; que a existência de um chapéu pode ser de algum modo constrangedor para quem não pode contribuir; com a injustiça de só quem faz actividades expostas ao público poder pedir donativos.

Por outro lado, houve quem dissesse que a Es.Col.A ainda tem muitos períodos sem actividade, ou em que está fechada, e que há pessoas que certamente estariam disponíveis para aderir ao projecto se houvesse a possibilidade de angariar alguns fundos. Claro que ninguém seria obrigado a contribuir, mas se houvesse a possibilidade de receber donativos, haveria mais gente e mais actividades na Es.Col.A, o que não seria de descurar. Claro que todas as actividades seriam sempre abertas e nunca um donativo seria obrigatório. Além disso, os donativos não seriam de montante suficiente para levantar estas questões. E, em termos de princípios, a possibilidade da existência de donativos iria ajudar muitos a contornar o esquema do capitalismo e não podia ser considerado comercial nem lucrativo. Não são os donativos que vão pôr em perigo o projecto, argumentou-se.

Começava a ser tarde, era óbvio o cansaço de todos e alguns já haviam abandonado a assembleia. Os que permaneciam não se sentiam com entusiasmo, capacidade, nem legitimidade para avançar na discussão e tomar decisões. Desta vez não se chegara a conclusão alguma. O assunto era novamente adiado. Para que na próxima assembleia temática se possa chegar mais facilmente a um consenso, foi levantada uma questão para reflectir e tentarmos responder: colocando-se cada um dos lados na posição contrária, pensar em que é que essa forma de funcionar – publicitando que este é um projecto auto-suficiente, autogestionado, livre e em que se podem pedir donativos ou publicitando que este é um projecto auto-suficiente, autogestionado, livre, gratuito – afecta o funcionamento, conceito e objectivos do projecto.

Continua no dia 18 de Outubro, 3ª feira, às 18h30.

encontro de crochet e tricot


sextas-feiras, a partir de 14 de Outubro, das 16h30 às 20h00

pátio da Es.Col.A da Fontinha

vem aprender, ensinar, partilhar saber e experiências

para fazer desde o naperon da avozinha, camisolas e pulseiras, a crochet de guerrilha


sábado, 8 de outubro de 2011

resumo da 24ª assembleia


3ª feira, 27 de Setembro

Eram cerca de 20 pessoas as que se juntaram já eram cerca de sete da tarde, com uma extensa ordem de trabalhos pela frente. Falou-se das assembleias temáticas, da semana que passou, das actividades que estão para vir, do funcionamento, da estrutura, da divulgação e do bairro. Mais uma vez, começou-se de dia e acabou-se de noite.

Iniciada com a partilha das informações sobre a última assembleia temática “o que é um projecto não comercial” (o resumo pode ser visto aqui), logo se passou para a questão central: os encontros dos grupos de trabalho temáticos deverão ter um cariz decisório ou não? serão um polo de decisão ou apenas de discussão? Perante essa pergunta as vontades e as ideias que se expressaram foram várias, em ambas as direcções. Concluiu-se que o melhor seria tentar que sim, que tivessem cariz decisório, mas, para isso, os encontros deveriam estar sujeitos a um maior cuidado na sua preparação, facilitação e divulgação. E as decisões, tal como todas as outras, estariam sujeitas a eternas discussões em algum ponto da sua existência.

De forma orgânica saltou-se de questão em questão sem se perder o fio à meada. No balanço da semana, soube-se da presença de cerca de 15 pessoas na oficina de cozinha vegana, no sábado anterior. Nas lacunas típicas do funcionamento de um espaço, referiu-se o encerramento da biblioteca durante grande parte do tempo.

O workshop de break dance proposto há umas semanas é para seguir em frente, tal como uma oficina de teatro para os mais velhos. Esta última deverá decorrer uma vez por semana e deverá unir esforços com o grupo de teatro já existente, começando quando houver gente interessada nisso.

O grupo de reconhecimento do bairro explicou que criou um esquema, organizado e mapeado, de distribuição porta-a-porta da folha de notícias, que era para ser iniciado aquando do lançamento do nº1. Como isso foi entretanto assumido por outros voluntários, e para evitar que seja confundido com uma qualquer irmandade evangélica, devido ao seu zelo excessivo, o grupo decidiu avançar com a tarefa quando sair o nº2 da folha de notícias, aproveitando a divulgação para melhor conhecer o bairro e as suas aspirações quanto à Es.Col.A.

Em resposta à questão da bilblioteca se encontrar encerrada a maior parte do tempo chegou-se à frente a proposta do grupo de apoio escolar, de tentar angariar gente suficiente que garanta a sua abertura todos os dias, das 17h00 às 20h00. Quem se quiser propor a ajudar é só contactar. Caso haja mais gente, alarga-se o horário. Para além do mais, é necessária a catalogação dos livros existentes, de modo a organizá-los de forma mais eficiente. Uma proposta vinda do Musas e da CasaViva sugeriu a catalogação conjunta dos livros dos três espaços para que se consiga criar uma base de dados comum. Propôs-se que os livros relacionados com agricultura e culturas afins fossem para as estantes do Musas e os dedicados ao ensino e a pedagogias várias para a Es.Col.A. Tudo isto prontamente aceite.

Anunciou-se um workshop de escalada para o dia 21 de outubro e o início das assembleias das “crianças em acção”, encontros de discussão sobre temas actuais para os rebentos mais novos, para breve.

Surgiu também a vontade de realizar o workshop de cozinha vegan aos sábados (regularidade semanal), que dará direito a jantar e cinema no próprio dia, cortesia da mesma oficina. Há-de aparecer também uma tarde de karaoke no mesmo dia, mas quinzenalmente, de forma a fomentar o espírito festivo que, segundo opiniões várias, se encontra um pouco esmorecido.

Seguiu-se o ponto de situação da preparação do hackmeeting paralelo na Es.Col.A, a 29 e 30 de Outubro, no fim-de-semana a seguir ao Hackmeeting Ibérico marcado para a Corunha. Após uma muito breve discussão aprovou-se a excepção à regra ao aceitar a permanência dos participantes do encontro na Es.Col.A durante o tempo que durar, entre 48 e 72 horas. Ou seja, haverá gente a dormir na Es.Col.A durante esses dias. Ponto mais complexo é o da internet. Aparentemente goradas as possibilidades de net estável e fornecida pelo ar, procuram-se agora outras hipóteses de dotar o espaço com rede. Se realmente se vir que não há outra forma, aceitou-se abrir contracto com uma entidade das que levam internet às casas. Integrado no hackmeeting foi a criação de um painel de imagens vídeo recolhidas ao longo dos últimos meses na Es.Col.A e que estará aí presente para discussão.

Passou-se para o estado da infra-estrutura es.col.ar. Faltava arranjar a caleira (que entretanto já está), as janelas (que também já estão) e colocar tela asfáltica nas telhas da cumeeira do edificio pequeno (que ainda não está mas para as quais já há o material necessário). Fora isso, necessidades mais urgentes para garantir um inverno agradável, deve-se agora actuar sobre as janelas do 2º andar e sobre as salas do 1º andar do edifício pequeno. Falou-se também da elaboração de uma planta da Es.Col.A em que os espaços sejam definidos, o que leva à necessidade de definir cada espaço de acordo com aquilo que se deseja para ele.

Discutiu-se a auto-gestão das obras e das limpezas. Referiu-se a limpeza das casas de banho, chegando-se à conclusão de que marcar o dia das assembleias para dia de limpeza pode ser um bom principio para manter a coisa bem cheirosa. De latrina em latrina, passamos directamente para a constituição da associação. O martírio burocrático, que curiosamente nunca agradou a nenhum dos presentes, está perto do fim, e para isso houve o contributo precioso duns poucos mas pacientes voluntários. Esperamos em breve poder deixar de falar dele e enterrá-lo bem enterradinho.

Foi tarde e a más horas que acabou este encontro. Para a semana há mais para quem quiser. Para quem não quiser, há Es.Col.A todos os dias!

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

karaoke quinzenal


A pedido de vários moradores da Fontinha, começam este sábado, 8 de Outubro, as sessões de karaoke. Das 17h00 às 20h00, de duas em duas semanas. Vem daí cantar também...

cinema comunitário


Sábado, depois do jantar, há cinema às 20h00


Tsotsi, de Gavin Hood
África do Sul, 2005, 94'

Na gíria das ruas de Soweto, o termo tsotsi é sinónimo de bandido.

Tsotsi é um rapaz que mora num gueto de Joanesburgo e apesar de ter apenas 19 anos de idade é líder de um gang.

Mais info aqui.

oportunidade de aprender alemão


Sprichst du Deutsch? Não?! Então surgiu agora a oportunidade de aprender.

Aprender e Praticar Alemão é uma nova iniciativa da Es.Col.A, que começa no próximo sábado, 8 de Outubro, das 18h30 às 19h30.

Sob orientação de Ismail, as aulas terão regularidade semanal.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

oficina de cozinha vegan e jantar aos sábados


As Oficinas de Cozinha Vegan passam a semanais, aos sábados, a partir das 16 horas.
O jantar comunitário fica marcado para as 19 horas.

Até agora têm sido algumas pessoas que têm assegurado a angariação dos alimentos para a sua realização. Para que seja uma participação colectiva, convidam-se as pessoas que queiram participar a contribuir com alimentos, pois às vezes não é possível angariar todos os ingredientes necessários. Para tal, serão divulgados, na quinta-feira anterior, os pratos a confeccionar e os ingredientes necessários, quer neste blogue quer na página do facebook. Abaixo, a lista do que se vai cozinhar este sábado e respectivos ingredientes. Uma iniciativa da Ewe e do Ricardo.

Pede-se também para trazerem alimentos secos básicos e alguns materiais de cozinha que estejam a mais lá em casa, para podermos começar a equipar a cozinha para quem quiser cozinhar e podermos oferecer fruta, sumo ou bolachas às crianças que durante as tardes da semana brincam no recreio da Es.Col.A.

Entretanto, o espaço da cantina foi limpo e organizado para que também possa servir para outras actividades. As máquinas de café, de sumos, de aquecer água e de gelo estão à disposição, simplesmente se pede a boa utilização dos materiais e também a posterior limpeza do espaço, a pensar em quem o vai utilizar a seguir. Há lá também um pequeno frigorífico para bebidas.


MENU DE 8 DE OUTUBRO

Sopa de beterraba, tofu e seitan
Mexido de tofu com espinafres e Seitan à Bulhão Pato
Delícia de banana

INGREDIENTES

feijão de soja - 1kg
gluten de trigo - 1 embalagem
alga nigari - 1 embalagem pequena
alhos - 5 cabeças
cebolas - 1kg
alho francês - 1kg
abóbora - 500g
cenoura - 1kg
beterraba - 500g
aveia em grão - 200g
salsa - 1 molho
coentros - 1 molho
arroz - 2kg
azeite - 1 garrafa
bananas - 1kg
geleia de arroz - 500ml
bolachas de chocolate vegan*
espinafres - 1kg**

*se preferirem, embora seja mais difícil de arranjar e mais caras, podem ser bolachas de alfarroba.
**espinafre de folha larga, porque o de folha pequena não dá, mas podem ser congelados.

oficina de danças tradicionais muda para os sábados


Em Outubro, as Oficinas de Danças Tradicionais realizam-se aos sábados, 16h00-18h00


Dia 8: Mazurka e Saia da Carolina

Dia 22: Tzadik katamar (Israelita), Pingacho (Mirandesa), Fado do Espinho

Dia 29 (16-18h): Erva Cidreira, Mazurka, Scottish


Orientadora: Violeta